TRANSTORNO BIPOLAR

Saiba mais sobre o transtorno bipolar



Caracterizado por oscilações de humor, que podem ir da depressão à euforia, o transtorno bipolar atinge em média 1,6% da população mundial. No entanto, alguns especialistas, como o psiquiatra americano Hagop Akiskal, afirmam que este índice pode chegar de 6 a 8%, quando um conceito mais amplo é utilizado, fato que os psiquiatras chamam de espectro bipolar. Impulsividade, agressividade e outros transtornos de impulso, por exemplo, já fazem parte de um possível diagnóstico de transtorno bipolar.

No Brasil, o número chega a mais de 2,62 milhões de pessoas portadoras deste transtorno mental. Em São Paulo, a doença afeta 8,3% dos paulistanos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, publicada recentemente no europeu Journal of Affective Disorders. Outros números alarmantes relacionados ao transtorno: cerca de 40% dos pacientes já tentaram suicídio pelo menos uma vez, 60% das pessoas com transtorno bipolar não recebem tratamento durante nos primeiros 6 meses do episódio inicial, 35% dos portadores não se encontram em tratamento até 10 anos do episódio inicial e 34% dos pacientes bipolares recebem outro diagnóstico.

A herança genética é uma das principais causas da doença. Situações como perda de entes queridos, separações conjugais, pressões no trabalho e na escola podem funcionar como desencadeantes do quadro. Os especialistas também alertam para o cuidado com o uso de medicamentos anti-depressivos e de drogas ilícitas, que podem levar à manifestação da doença, caso a pessoa possua herança genética para este transtorno mental. Além disso, pesquisas recentes revelam que o uso de remédios para emagrecer também podem ser prejudiciais para estas pessoas, contribuindo para desencadear o quadro.

As variações de humor são os principais sintomas da doença. “Se uma pessoa é instável demais e repentinamente oscila entre a euforia e a depressão, a apatia e a hiperatividade, sem motivo algum para justificar seu estado de excitação e euforia, a falta de sono, a empolgação e há casos de transtorno bipolar ou depressões recorrentes na família, é possível que esta pessoa seja portadora da doença”, alerta o Dr Odeílton Tadeu Soares, médico psiquiatra do HC-FMUSP. O diagnóstico não é simples. Geralmente as pessoas procuram os especialistas com queixas de depressão.

Nas fases de mania bipolar, o doente perde o controle sobre a sua vontade e pode cometer diversos excessos. “Grandes compras impulsivas – como de um carro, um apartamento, excessos relacionados à vida sexual ou a atitude de abrir o próprio negócios, são apenas alguns exemplos de ações que o doente pode cometer durante o período de euforia”, afirma o médico.

Diante desse quadro, é fundamental que diagnóstico e tratamento sejam realizados o mais rápido possível. “Se o portador não estiver em fase de tratamento, as fases de mania e de depressão podem durar até seis meses”, conta Dr Odeílton. Segundo o especialista, “Às vezes, as oscilações de humor podem ocorrer ao longo de um mesmo dia”.